Mais um ano se passa e vejo
pessoas fazendo promessas, criando metas, usando roupas brancas para trazer paz
e aquelas velhas superstições de sempre. Eu confesso que fazia isso, talvez
porque minha mãe sempre dizia que tinha que fazer, mas ao passar do tempo fui
descobrindo que não me trouxe diferença alguma, muito pelo contrário, os anos
se passaram e as coisas foram ficando mais complicadas. Esse ano espero que as
coisas sejam diferentes, apesar de que é só mais um dia no meu calendário, mas
gostaria muito de chegar no final do ano mais uma vez e dizer como esse foi
bom.
-Feliz ano novo filha! Minha mãe tem uma mania irritante
de aparecer inesperadamente.
-
Para você também! Já estava cansada daquela festa em família, nunca fui de
gostar de participar das coisas que acontecem com a família, na verdade não
considero meus parentes familiares e sim apenas aquelas pessoas que realmente
tenho afeto, Anita a minha mãe, Mel minha irmã mais nova, Black meu gatinho e
Daniel.
Aproveitei que meus parentes estavam
desejando um bom ano para cada um e sai discretamente para que ninguém
percebesse. Estávamos passando o ano novo na casa de minha vó como costume,
geralmente dormia na sala com minhas primas, mas como todos acomodavam na sala,
entrei no quarto do meu vô e fiquei apreciando suas coisas. Sempre gostei das
suas coisas, ele tem livros, discos e bugigangas no qual admiro. Achei um livro
da biografia de Olga, empolguei tanto que mal percebi que havia caído no
sono.
-Vamos
Bia, acorde! Dizia Mel enquanto me chacoalhava.
-Calma
Mel, já acordei. O que você quer essa hora da manhã? O que aconteceu?
-Mamãe
pediu para te acordar, ela decidiu que não vamos passar esse fim de semana aqui
na casa da vovó, ela precisa trabalhar amanhã.
-Ah
que pena, vou levantar. Respondi na ironia dando um pulo da cama. Ainda era
cedo e todos estavam dormindo, o que foi maravilhoso, pois assim poderia pular
as despedidas. Joguei tudo dentro da minha mochila e levei o livro de Olga,
espero que meu vô não se importe.
Moro a uma hora dali, o que não era um
problema para mim, aproveitei para continuar lendo no meio do caminho. Quando
cheguei sai correndo, subi as escadas e me tranquei no meu quarto. Assustei
quando entrei, mal me lembrava que havia deixado uma bagunça quando sai. Fui
pulando com a ponta do pé para acabar não pisando em nada, até que me joguei na
cama e comecei a refletir toda minha vida enquanto olhava para o teto.
Eu não diria que tenho a pior vida do mundo
ou a melhor, na verdade acho que fazer citações de coisas ruins e boas nem
sempre é a melhor opção para continuar um novo capítulo da vida. Nunca fui uma
garota de muitos amigos, talvez porque me privo disso para não ter decepções. O
único amigo que tenho é Daniel. Somos amigos desde os sete anos quando fomos
para a mesma sala. Ao contrário de mim ele possui muitos amigos, mas isso nunca
interferiu na nossa amizade, o que admiro isso nele.
Meus romances também nunca foi minhas
melhores histórias para contar, me envolvi seriamente apenas uma vez, mas
infelizmente terminamos no meio do ano passado quando vi ele se envolvendo com
Rafaela, a moça que menos imaginaria algo do tipo, talvez por sempre ficar
quieta no seu canto, mas foi exatamente por isso que Jonathan havia se
interessado por mim. Depois dessa
desilusão amorosa não quis me comprometer novamente. Pelo menos por enquanto.




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